Giro Financeiro 30/03: Inflação em Pauta e Novas Regras Bancárias nos EUA

O mercado financeiro encerra a última segunda-feira de março sob pressão dupla: no Brasil, as expectativas de inflação sobem pela terceira semana consecutiva, pressionadas pela disparada do petróleo acima de US$ 100 o barril em meio ao conflito no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve sinaliza mudanças estruturais para o setor bancário, enquanto Wall Street opera com cautela diante do cenário geopolítico.

1. Boletim Focus: Inflação em Alta e Selic Mais Cautelosa

O Banco Central divulgou hoje o Relatório Focus, revelando nova rodada de revisões nas expectativas macroeconômicas para 2026.

  • IPCA: A projeção para este ano subiu pela terceira semana consecutiva, de 4,17% para 4,31% — um avanço expressivo frente às 4 semanas atrás, quando a estimativa era de 3,91%. A inflação se aproxima do teto da meta de 4,50%, ficando apenas 0,19 ponto percentual abaixo do limite. Para 2027, a previsão avançou de 3,80% para 3,84%.
  • Selic: A mediana para a taxa básica de juros ao fim de 2026 se estabilizou em 12,50%, após três semanas de altas consecutivas. O mercado revisou para baixo a magnitude do corte esperado no Copom de abril: agora projeta redução de apenas 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,50% — revertendo apostas anteriores de um corte mais agressivo.
  • PIB e Câmbio: A estimativa de crescimento para 2026 subiu levemente para 1,85%. A cotação do dólar para o fim do ano foi mantida em R$ 5,40.

2. Estados Unidos: Fed Propõe Alívio em Regras de Capital

O Federal Reserve anunciou propostas para modificar as exigências de capital dos grandes bancos americanos, visando facilitar a oferta de crédito.

  • Crédito Imobiliário: A proposta sugere remover a obrigatoriedade de deduzir ativos de serviço hipotecário do capital, aplicando um peso de risco de 250%.
  • Resiliência: Mesmo com as reduções, os maiores bancos dos EUA devem manter mais de US$ 800 bilhões em capital, garantindo estabilidade superior aos níveis pré-2008.

3. Movimentação dos Índices (Fechamento 30/03)

O pano de fundo do dia foi a guerra no Oriente Médio: com o petróleo Brent sustentado acima de US$ 100 o barril, os ativos ligados à commodity sustentaram a Bolsa brasileira, enquanto o ambiente de risco pressionou Wall Street. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiram 4,44%, o maior nível em oito meses.

  • Ibovespa: Encerrou em alta de 0,53%, aos 182.514 pontos, sustentado pelo desempenho da Petrobras (PETR4, +0,53%) e Vale (VALE3, +0,63%). No mês, o índice acumula queda de cerca de 3,83%, mas segue com valorização de aproximadamente 12% no ano.
  • Dólar Comercial: Registrou leve alta de 0,12%, fechando a R$ 5,24 — pressionado pelo ambiente de risco externo, apesar do alívio geopolítico pontual no início da sessão.
  • S&P 500: O índice americano recuou 0,39%, refletindo a cautela com o cenário inflacionário e a queda na confiança do consumidor.

4. Radar de Curtas

  • Confiança do Consumidor (EUA): O índice da Universidade de Michigan caiu para 53,3 em março, o menor nível em mais de dois anos. A queda reflete o pessimismo crescente da população americana com a trajetória da inflação no curto prazo, agravada pelo choque do petróleo.
  • IGP-M: O índice fechou março com alta de 0,52%, interrompendo a tendência de deflação dos meses anteriores — que havia sido sustentada pela queda em commodities agrícolas. A pressão agora vem da alta do petróleo e seus derivados.
  • Soberania de Dados: O FMI reforçou a necessidade de marcos regulatórios para moedas digitais em mercados emergentes, visando estabilidade financeira no Sul Global.

Fontes Radar