Júri de Los Angeles Condena Meta e Google em Caso de Vício Digital
Nesta quarta-feira (25/03/2026), a juíza Carolyn Kuhl proferiu um veredito histórico em Los Angeles, onde um júri considerou a Meta e o Google responsáveis pelo desenvolvimento de plataformas intencionalmente viciantes que prejudicaram a saúde mental de uma jovem de 20 anos, identificada no processo como Kaley.
A decisão estabelece que a Meta detém 70% da responsabilidade pelos danos sofridos, enquanto o YouTube (propriedade do Google) responde pelos 30% restantes.
Detalhes do Julgamento e Evidências Internas
O julgamento, que se estendeu por cinco semanas, focou na discrepância entre as políticas públicas das empresas e suas comunicações internas:
- Uso por menores de 13 anos: Embora Mark Zuckerberg tenha reiterado a política de proibição de usuários menores de 13 anos, a acusação apresentou documentos de 2018 que discutiam a retenção bem-sucedida de pré-adolescentes na plataforma.
- Narrativa de Vício: Foi apresentado um relatório de 2019, realizado por uma empresa externa a pedido do Instagram, indicando que adolescentes se sentiam “viciados” e possuíam uma percepção negativa sobre o uso da rede.
- Metas de Engajamento: E-mails de 2015 e 2017 revelaram que o aumento do tempo gasto e a priorização do público adolescente eram metas centrais estabelecidas por Zuckerberg para os executivos da Meta.
A Defesa das Big Techs
A Meta argumentou que o uso do Instagram não foi o fator determinante para os problemas de saúde mental da autora. Zuckerberg defendeu que:
As pesquisas mencionadas também destacavam aspectos positivos do uso das redes.
A empresa evoluiu para lidar com o “uso problemático” e não opera mais focada exclusivamente em métricas de tempo gasto.
A Meta buscou criar versões regulamentadas para crianças, como o Messenger Kids.
Impacto no Setor e Precedentes
O caso de Kaley é visto como um marco que deve influenciar centenas de ações semelhantes que tramitam nos Estados Unidos. Antes do veredito, outras empresas do setor, como Snap e TikTok, optaram por realizar acordos confidenciais com a autora para evitar o julgamento.
Enquanto grupos de pais e defensores da segurança digital celebram a decisão como um passo para a alteração de algoritmos, a Meta afirmou que avalia suas opções legais e discorda do resultado.